A felicidade sustentável nos negócios

A felicidade como cantam os poetas tem a vida breve. Chega de repente na posse de algo, um objeto, experiência ou relacionamento, e logo vai. Daí porque tentamos todo o tempo reavê-la, substituindo objetos e acontecimentos na vida.

Os filósofos lidam com a felicidade de um jeito diferente. Aristóteles, por exemplo, a considerou o bem último de qualquer ação humana que encontra seu pleno sentido na convivência da cidade, lugar que inventamos para viver nossas inclinações tipicamente humanas. Nesse caso, a felicidade dificilmente acontece num contexto isolado das demais pessoas.

De fato, poucos de nós suporta o isolamento. Então não basta que aspiremos a felicidade pessoal; ser feliz, é ser feliz em companhia de. Isso faz toda diferença porque podemos perceber a felicidade como um bem circulante; sendo assim, ainda que agora eu não esteja feliz, posso me alegrar com a felicidade dos outros e isso, certamente, me abre para uma próxima onda de felicidade.

Como bem circulante, a felicidade depende do empenho de cada um em favorecer uma convivência consciente, justa e responsável. Num mundo que valoriza excessivamente os confortos e prazeres individuais, perdemos esta imagem de que a felicidade circula na rede de interdependências que vivemos. Guiados pela noção de que devemos conquistá-la sozinhos, abandonamos a ideia de que cada um é responsável pela construção e manutenção do bem-estar coletivo delegando tal tarefa ao outro: governo, leis, polícia, o vizinho, todos, menos eu que já paguei os impostos para que isso seja feito.

Boa vontade e boa-fé, são os ingredientes para o equilíbrio entre a boa vida – aquela prazerosa, segura e confortável que todos desejamos e a vida boa – aquela tornada digna pelo reconhecimento espiritual do outro, prática de justiça e abertura ao diálogo, que nos fortalece. A sintonia com a vida boa nos ajuda a dar tratos aos bons hábitos, por escolha pessoal sem que ninguém nos obrigue a eles; não necessitamos ser controlados quando nos dispomos a fazer o que é certo. Assim, controles são substituídos por respeito e responsabilidade; correção por prevenção. Este é o coração da Ética.

Empresas são entidades do mundo humano que cabem perfeitamente no que se falou até aqui. São pessoas jurídicas, e também pessoas morais. Possuem identidade e podem ser egoístas e oportunistas tanto quanto justas e corretas em suas decisões; podem permanecer isoladas, preocupadas tão somente com seus próprios ganhos ou então ir ao alcance de valores compartilhados. Por conta do conhecimento especialista e tecnologia complexa, empresas podem gerar impactos sobre a comunidade percebidos tardiamente ou até mesmo nunca perceptíveis. Por isso, estão longe de serem apenas centros geradores de lucro para interesses privados. Para elas, vale mais do que nunca um dos lemas básicos da ética: é melhor pedir licença para não ter que pedir desculpas!

No ambiente empresarial, permanecemos ainda na esfera das soluções eticamente rasas. Se ficarmos restritos à espera de que leis e marcos regulatórios resolvam o problema, o que se poderá conseguir para contornar o risco de vida digna para todos no planeta? Devemos reconhecer que boa parte das empresas já possui rumo traçado para a sustentabilidade, mas quantas guiadas pela noção de felicidade sustentável?

Essa é uma decisão que nasce no âmago de cada empresa e ninguém pode obrigá-las a isso. Não há mundo sustentável que não deva ser eticamente conquistado.

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